A gestão de alergénios é um pilar fundamental na indústria alimentar, tendo como principal objetivo proteger os consumidores com alergias ou intolerâncias. Qualquer falha neste processo pode ter consequências graves para a saúde pública, além de acarretar implicações legais e comprometer seriamente a reputação da marca.
Neste contexto, as principais normas de certificação internacionais exigem a evidência de um controlo sistemático e rigoroso dos perigos associados a alergénios, desde a receção das matérias-primas até ao produto final.
Conteúdos abordados
Porque é que a gestão de alergénios na indústria alimentar é tão crítica?
A gestão de alergénios é um elemento essencial para garantir a segurança dos consumidores e a conformidade dos processos na indústria alimentar. Destaco como principais motivos:
- Prevenção de reações alérgicas potencialmente fatais: A exposição acidental a alergénios pode desencadear reações graves, colocando em risco a vida dos consumidores.
- Cumprimento das legislações alimentares nacionais e internacionais: Normas como a ISO 22000, IFS Food e BRCGS exigem um controlo rigoroso dos alergénios ao longo de toda a cadeia de produção.
- Transparência na rotulagem de produtos alimentares: Uma rotulagem clara e precisa é essencial para informar os consumidores sobre a presença de alergénios, permitindo escolhas alimentares seguras.
- Aumento da confiança dos consumidores: Uma gestão eficaz reforça a credibilidade da marca e demonstra um compromisso com a segurança alimentar.
Boas práticas e estratégias a adotar para uma gestão de alergénios eficaz
Uma gestão de alergénios eficaz exige a adoção de práticas rigorosas e a implementação de sistemas de controlo da qualidade robustos. Entre as boas práticas recomendadas, destacam-se:
- Registo sistemático das análises laboratoriais realizadas às matérias-primas e aos produtos finais, validando a presença ou ausência de alergénios.
- Higienização rigorosa de equipamentos e instalações, acompanhada de registos detalhados e realizados com regularidade.
- Avaliação criteriosa dos fornecedores, assegurando que os ingredientes fornecidos cumprem os padrões de segurança definidos.
- Separação física e/ou temporal das linhas de produção com e sem alergénios, minimizando o risco de contaminação cruzada.
- Formação contínua das equipas, promovendo o manuseamento adequado e a correta identificação de produtos que contêm alergénios.

É fundamental conhecer detalhadamente todo o fluxo do produto, centralizar os registos num único sistema e identificar de forma precisa todos os alergénios presentes, bem como os potenciais riscos de contaminação cruzada. Para garantir uma gestão eficaz, é essencial adotar as seguintes estratégias:
- Assegurar uma rotulagem clara e precisa, com a identificação inequívoca dos alergénios;
- Implementar sistemas de rastreabilidade que permitam identificar rapidamente a origem de qualquer contaminação por alergénios;
- Definir planos de contingência para a recolha imediata de produtos, em caso de erro.
As empresas do setor alimentar enfrentam vários desafios neste domínio, tanto ao nível da separação e isolamento de linhas de produção livres de alergénios, como na gestão dos registos de conformidade e na capacidade de resposta rápida a situações de crise.
Verifica-se, cada vez mais, a necessidade de digitalizar os registos, garantir o acesso a dados em tempo real e manter sistemas de qualidade permanentemente atualizados e auditáveis. Um dos maiores entraves prende-se com a dificuldade em manter linhas de produção separadas, sobretudo quando existem limitações de espaço físico.
O impacto da digitalização na gestão de alergénios
Face à crescente complexidade dos requisitos legais e à necessidade de uma atuação ágil e precisa, a digitalização dos processos de controlo da qualidade é uma necessidade estratégica. A tecnologia tem vindo a assumir um papel central na resposta a este desafio, permitindo automatizar tarefas, garantir o rigor dos registos e melhorar a capacidade de reação perante qualquer não conformidade.
É neste contexto que soluções como o ACCEPT ganham relevância. Desenvolvido especificamente para o setor industrial, o sistema ACCEPT possibilita uma gestão mais eficiente e integrada da qualidade, com funcionalidades que apoiam diretamente o controlo de alergénios, como:

- Checklists digitais que validam, de forma prática e segura, a higienização de equipamentos e instalações;
- Informatização de registos, facilitando a sua consulta e apresentação em auditorias;
- Ligação automática ao módulo de gestão de ocorrências para agilizar o tratamento de não conformidades detetadas (NOKs).
- Monitorização em tempo real de pontos críticos de controlo (PCC), garantindo maior visibilidade sobre os processos;
- Integração com sistemas ERP e módulos HACCP digitais, assegurando uma visão global e coerente da produção.
Com o apoio das ferramentas certas, a gestão de alergénios pode evoluir de uma obrigação legal para uma verdadeira vantagem competitiva, reforçando a confiança dos consumidores e a excelência operacional das empresas.
Descubra como o ACCEPT Quality pode simplificar a validação da higienização de equipamentos e instalações na sua indústria com checklists digitais.

Autor

Patrícia Carreira
Mestre em Tecnologia e Segurança Alimentar pela FCT-UNLisboa. Realizou estágios na Chemiphar, Brugge e no grupo Lusiaves no departamento da qualidade, apoiando a implementação da IFS. Foi Responsável de Higiene e Segurança Alimentar na Panicongelados, SA e na Clara&Gema. Atualmente, desempenha funções de Consultora de Projetos na Sinmetro.
