As pressões diárias de clientes, colaboradores, parceiros e concorrentes, têm forçado as empresas a investirem na sua transformação digital e no desenvolvimento de atividades de I&D. O conceito de i4.0 passou a estar omnipresente na sociedade para designar todas as iniciativas que permitem obter fábricas inteligentes a partir de ecossistemas de produção massivos, personalizáveis e flexíveis, onde predomina a inovação associada à transformação da Big Data em conhecimento e estratégias em tempo real. Saiba neste artigo o que é, e para que servem as atividades de I&D na Indústria 4.0. Será que investir é a chave?
O que encontra neste artigo?
I&D: Uma definição ampla do conceito
A sigla I&D deriva da expressão “Investigação e Desenvolvimento” para designar toda e qualquer atividade que é executada de forma sistemática e criativa que procura aumentar o conhecimento disponível sobre a humanidade, cultura, a sociedade e dimensões associadas e, depois, aplicá-lo no desenvolvimento de novas soluções. O economista e professor universitário Paulo Nunes explica neste artigo que o conceito de I&D engloba três grandes categorias de atividade. São elas:
– Investigação Fundamental: pressupõe trabalhos experimentais e/ou teóricos para obter novos conhecimentos científicos sobre os fundamentos de fenómenos e factos observáveis. Não existe a intenção de aplicar tecnicamente o avanço científico.
– Investigação Aplicada: pressupõe trabalhos empíricos com o objetivo de alcançar novos conhecimentos para determinados fins.
– Desenvolvimento Experimental: pressupõe a utilização sistemática do conhecimento obtido por investigação e/ou experiência prática para produzir novos materiais, dispositivos e produtos, instalar novos processos e sistemas, ou melhorar significativamente os já existentes.
À semelhança do que acontece no campo mais amplo da investigação científica, as atividades de I&D baseiam-se em conceitos e na formulação de hipóteses para testagem e produção de resultados empíricos. As descobertas podem depois ser transferidas ou negociadas no mercado, com ou sem recurso a patentes.
Aplicabilidade das atividades de I&D na Indústria 4.0
A Internet das Coisas (IoT), os sistemas ciberfísicos, a Big Data, a inteligência artificial, a simulação 3D, a computação em nuvem, a realidade aumentada e virtual são algumas das tecnologias e dos sistemas digitais mais conhecidos, utilizados e englobados pelo conceito da Indústria 4.0.
A verdade é que eles podem ser apelidados como o coração tecnológico da transformação digital. Permitem responder aos desafios mais complexos que qualquer indústria ou setor enfrente, tornando-os em oportunidades de melhorias.
Para que existam soluções inovadoras, são necessárias atividades de I&D na indústria principalmente para procurar novos processos e produtos que permitam diferenciar as empresas dos respetivos setores industriais.
O desenvolvimento de atividades I&D na Indústria 4.0 consiste, portanto, na realização de atividades que se foquem na investigação, desenvolvimento e testagem de novas matérias-primas, tecnologias, processos, serviços ou produtos ou na introdução de melhorias nos já existentes.
O que distingue os projetos de I&D dos de engenharia e/ou de outras atividades industriais?
Não obstante as definições formais que constituem o estado da arte, nem sempre é uma tarefa fácil distinguir o que é I&D do que não é.
A linha ténue deve-se às singularidades apresentadas por cada contexto. Tente pensar numa resposta para a seguinte pergunta: o que distingue as atividades de I&D das de engenharia e/ou de outras atividades industriais?
As últimas dependem de uma base de conhecimento já consolidado, mas maioritariamente da experiência de quem desenvolve o projeto para preconizar a inovação funcional ou de negócio. Neste âmbito, são utilizadas técnicas e tecnologias já existentes.
Já as atividades de I&D na indústria permitem a inovação técnico-científica e caraterizam-se por apresentarem um elemento de novidade. Costumam ser prolongadas no tempo para resolver determinada incerteza científica e/ou tecnológica, projetadas com algum tipo de benefício comercial e sem que haja resultados pré-determinados.
Essa novidade pode ser um produto que permite ultrapassar um desafio de manufatura manual ou digital, impulsionando o avanço do estado da arte dessa área de conhecimento.
Deste modo, a solução desenvolvida não é, à partida, evidente para outras empresas concorrentes que também se encontram familiarizadas com os conhecimento e técnicas habitualmente utilizadas.
5 características das atividades de I&D

– Novidade: As atividades de I&D geralmente envolvem a criação de algo novo, seja um produto, um processo ou uma tecnologia. A procura por inovação muitas vezes implica a criação de conhecimento e soluções originais.
– Criatividade: A criatividade é fundamental na investigação e desenvolvimento. A capacidade de pensar de forma inovadora e encontrar soluções não convencionais é essencial para avançar em diferentes campos.
– Incerteza: A incerteza é uma característica intrínseca às atividades de I&D. Muitas vezes, os resultados finais não podem ser previstos com certeza absoluta, e há quase sempre um elemento de risco envolvido.
– Sistematicidade: Embora a criatividade desempenhe um papel importante, as atividades de I&D também requerem uma abordagem sistemática. Isso envolve a aplicação de métodos e processos organizados para investigar e desenvolver novas ideias de forma eficiente.
– Transferência e/ou reprodução: Refere-se à capacidade de aplicar os resultados da pesquisa em contextos práticos ou de reproduzir esses resultados em diferentes situações. A transferência de conhecimento da pesquisa para a prática é um componente crítico do impacto das atividades de I&D.
Essas características destacam a natureza desafiadora e dinâmica das atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D), que são essenciais para impulsionar a inovação em diversos campos.
Notas finais
As tecnologias da Indústria 4.0 podem ser conceituadas dentro de um ecossistema de inovação que dão corpo a outras soluções que permitem às indústrias ultrapassar os desafios específicos de cada modelo de negócio.
Isso acontece porque, não raras as vezes, é necessário incorporar conhecimento existente nas novas iniciativas de I&D. Apenas desta forma existe um avanço, quer conceptual, quer tecnológico, do tecido empresarial. Ou, por outras palavras, uma inovação técnico-científica.
Com o intuito de explicar o que é e para que servem as atividades de I&D na Indústria 4.0, percebe-se que existem três grandes categorias de atividades, nomeadamente a Investigação Fundamental, a Investigação Aplicada e o Desenvolvimento Experimental. Dessas atividades, é possível tanto melhorar como desenvolver novas matérias-primas, técnicas, processos, tecnologias, produtos e serviços ou a sua extensão.
Em suma, a I&D representa muitas vezes um ativo intangível em empresas que procuram recorrentemente na inovação possibilidades de crescerem de forma sustentada e diferenciada da concorrência. Isto deve-se ao facto de a I&D permitir criar competitividade, valor e distinção interna e externa.
